#ForçaChape

Por Marília

Nessa semana, foi muito difícil escrever. Alguns temas circulavam pela cabeça, dentre eles, futebol, por conta do título palmeirense. Mas, aí, veio o acidente na Colômbia, tudo se misturou e o futebol tomou outra dimensão. Tentei escrever sobre outras coisas e soava artificial. Precisava falar sobre a Chapecoense.

Acontece que, como toda tragédia, tem várias maneiras de abordar isso. E é difícil saber exatamente o que ou como dizer. Por exemplo, não é meu papel cobrir o que aconteceu e noticiar as possíveis causas – a imprensa está fazendo isso.

Poderia falar sobre a aleatoriedade e a injustiça do fato na balança universal. Um time que, dias antes, estava aqui em São Paulo, jogando contra o meu time. Levando consigo grandes sonhos, um crescimento espantoso e uma esperança enorme. Só que, além de arriscar uma pieguice sem fim (vide frase anterior), não quero abordar em termos mais filosóficos ou abstratos.

Daria para falar da desconexão entre o sentimento nacional (e mundial) e as ações dos dirigentes nacionais. Matheus Pichonelli já fez isso muito bem. Talvez criticar a postura de Temer, que não participou da cerimônia na Colômbia e não pretende estar no velório coletivo em Chapecó. Ou saudar José Serra, que também não se segurou e fez um discurso bonito, com voz embargada. Durante esses minutos, ignorei seu espanhol mal falado e as tantas críticas a ele e o cargo que ocupa. Porque, naquele momento, partilhamos a mesma dor.

Essa pode ser uma saída: a dor compartilhada, a solidariedade que veio com essa tragédia. Muitos times, no Brasil e no exterior, prestaram suas homenagens à Chape. No Twitter, é só procurar pela #ForçaChape. O próprio perfil da Chapecoense e o Esporte Interativo têm compartilhado vídeos e imagens com essas homenagens.

Não dá para não se entristecer ou não se emocionar. A Chape, que saiu da série D para a final da Copa Sul-Americana, ganhou muitos torcedores. Sendo Palmeirense, sei bem a força que tem o Verdão do Oeste. É curioso como o esporte mobiliza as pessoas. Quer dizer, vemos isso na Copa e nas Olimpíadas, porém de outro modo. A Chapecoense estava levando consigo o carinho de muitos brasileiros. E, com a tragédia, acabou mobilizando – e ganhando – o mundo.

Soma-se a resposta colombiana a tudo isso, de uma prontidão e uma sensibilidade inigualáveis. Se eu achava que dois times verde-e-branco mal cabiam no meu coração, tive que abrir espaço para mais um. O Atlético Nacional emocionou o Brasil inteiro, nos fez sentir o carinho e a solidariedade latino-americanos, nos fez sentir parte de algo maior. “Uma nova família nasce”, lia-se em alguns cartazes. De fato.

Mauro Beting, num texto incrível, fala dessa solidariedade colombiana e da emoção que transbordou de Medellín até Chapecó, abraçando todo mundo que se encontrava no meio e além.

Concordo com Ugo Giorgetti: “não há frases de consolo diante do absurdo”. No entanto, há sim muito carinho, muita união. Tem outro texto, também do Beting, que exprime isso muito bem.  E é especial que isso venha com futebol. Porque, citando mais um texto do Matheus Pichonelli, o futebol “nos lembra que da dor é possível extrair o que parecia escondido nesta época em que a vida foi banalizada e desrespeitada em diversos sentidos e diversos exemplos pelo mundo. O nome disso é solidariedade.”

E, pra mim, isso é extremamente significante num tempo em que a busca pelo diálogo, pelo comum não parece ser possível por qualquer outro meio. Não a vi circulando, entretanto, apesar de tão usada, uma #SomosTodos parece aqui fazer algum sentido.

PS: Se quiser ajudar a Chape, o clube lançou novos planos de sócio contribuinte com valores bem acessíveis.

PPS: Queria agradecer a Lilian e a Marcela por vários desses links e ideias e pela companhia futebolística sempre.

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