Tentando se organizar

Por Marília

No mundo das iscas de clique (vale?), sempre me vejo tragada pelos posts sobre organização. Truques, hacks, dicas e magaiverismos para organizar armário, prateleira, gaveta de meias, livros, tarefas, cadernos, materiais de limpeza, potes de tempero, capas de almofada. Links que mostram como conservar vegetais por mais tempo, onde colocar o quê na geladeira, como preparar marmitas para a semana toda, como usar o pó de café para adubar plantas.

Fuçar os boards de organização do Pinterest está entre minhas formas favoritas de procrastinar. E o próprio Pinterest é uma ferramenta de organização: a plataforma permite agrupar ideias interessantes marcando-as em murais temáticos criados pelo usuário. Muito meta ler sobre organização nesse meio.

Listas do Buzzfeed também cumprem bem essa função. O que me incomoda um pouco é que, na prática, nem sigo o que leio. Quer dizer, até aproveito uma ou outra dica. A atração mesmo é pela possibilidade! Ah, a grande possibilidade de ajeitar a vida inteira com cinco ou seis truques. Organizar toda a vida nos mais variados âmbitos, #asvirginianapira. É por isso que acho muito curioso quando métodos de organização bombam pelas redes. Afinal, significa que não estou só nessa empreitada.

A primeira vez que ouvi falar de Marie Kondo foi num vídeo da Jout Jout. Até aí, não tinha ideia do tamanho do fenômeno. Descobri um pouco depois que é uma autora best seller em vários países e que se tornou uma guru da arrumação. Kondo explica seu método em dois livros – ambos lançados no Brasil: A Mágica da Arrumação e Isso me traz alegria: Um guia ilustrado da mágica da arrumação. Se estiver com preguiça de ler, dá para encontrar algumas de suas dicas no El País, Época Negócios, SOS Solteiros e um tanto de outros lugares, inclusive em outros vídeos Youtube afora. O New York Times fez reportagens sobre o fenômeno – recomendo essa e essa aqui (ambas em inglês). Tenho relatos positivos de amigos que seguiram mestre Kondo.

Desde o fim do ano passado, circulam posts sobre a maravilha que são os bullet journals – um sistema de organização diário. A vantagem, segundo o criador, é que você pode (e deve) adaptar o método de acordo com o que funciona pra você, podendo aplicar para tarefas nos mais diferentes ambientes e prazos. De novo, bateu preguiça de ler o método (que, por sinal, está em inglês)? Sem problemas: dá para saber mais aqui, aqui e aqui. Um monte de vídeos no Youtube também explicam como faz.

Procurar bujo’s (sim, é o apelido oficial) no Instagram ou no Pinterest tem se tornado outra prolífica atividade procrastinadora. Na verdade, é até hipnotizante. A galera faz verdadeiras obras de arte com o negócio. O que, francamente, me dá mais medo do que vontade de tentar. Uma amiga me indicou alguns perfis que postam versões mais realistas. Aguardo os relatos de quem já está tentando.

Existem modinhas de organização de tempo um pouco mais antigas. Gosto bastante da Técnica Pomodoro para estudar ou me organizar quando preciso trabalhar de casa, por exemplo. Alguns apps prometem ajudar com a técnica – é só jogar “pomodoro” na loja de apps do celular. Dá para achar versões para computador.

Outras plataformas misturam listas e redes sociais. Gosto muito do Goodreads e do Letterboxd para encontrar sugestões de livros e filmes e também para registrar ou lembrar o que li ou vi (com a newsletter, ambos têm ajudado muito!). Inclusive, para marcar coisas que você até quer ver/ler mas tá sem saco no momento.

Só que misturar organização e redes sociais não funciona em tempo integral. As tags de bullet journal são sensacionais e é divertido ver. Por outro lado, dão uma desanimada para seguir o método porque eu nunca faria algo tão bonito. Vejo as listas de amigos no Letterboxd e dá aquela sensação de que preciso ver mais filmes sem exatamente pensar se quero ver mais filmes.

Então, as listas vão aumentando e rola uma sensação de que eu nunca vou dar conta disso tudo (oi, Minha Lista da Netflix, tô falando com você) – aquela boa e velha pressão da vida adulta. Só que nem tudo é organizável. Recorrendo a clichês: a vida acontece. Adoro a técnica Pomodoro e, ainda assim, não consigo aplicá-la o tempo todo. Tem vários (vários mesmo) momentos em que o prazo aperta ou chegam coisas de última hora ou simplesmente não tô a fim. Daí a técnica mais atrapalha que ajuda.

Se organizar é legal e ajuda bastante na vida. Só não vale achar que sua vida depende disso e que todos os métodos são válidos para todo mundo a todo momento. Sem pressão. A vida real tá ali no meio embolando o rolê. Talvez, justamente por nos lembrar disso, é que o Pinterest Fail (em inglês) seja tão divertido.

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