Como (a gente deve) se comportar nas redes sociais?

Por Emannuel

Eu deveria estar muito entediado no trabalho ou talvez tenha ficado genuinamente curioso quando o Google Newsstand, minha forma mais comum de consumir notícias nos últimos tempos, me recomendou um artigo chamado “Por que meu namorado deu like na bunda de Emily Ratajkowski no Instagram?”. Talvez o app tenha me recomendado isso porque costumo ler coisas publicadas no The Verge, ou talvez porque um dos meus interesses cadastrados é “tecnologia e redes sociais”, ou algo assim. Prefiro não especular uma monitoração, além disso, para não cair na paranoia. O artigo em si é bem simples, é uma versão escrita daquelas perguntas que fazemos para amigos tantas vezes, não só para entender o comportamento em si, mas para ver se as outras pessoas agem como nós em determinadas situações (nesse caso, a internet). O interessante é ver que as pessoas que responderam, todas presumivelmente amigas da articulista (o que poderia indicar uma certa homogenia à qual nenhum grupo de amigos consegue escapar completamente) se comportam de formas muito diferentes no que se refere a como interagir com pessoas famosas (e subcelebridades) nas redes sociais.

O artigo foi um dos melhores dos que já li no que se refere a fazer com que eu observe meu comportamento virtual. Vamos seguir o exemplo da Ashley Carman e começar pelo Instagram. Apesar de não ser a rede social primária da maioria das pessoas (uma ‘honra’ que costuma ficar com o Facebook), analisar o Instagram pode ser chave porque lá costumamos seguir e, de uma forma ou outra, interagir não só com nossos amigos, mas também com celebridades, veículos de mídia, museus, bandas etc. Só metade do meu feed, por exemplo, é composto por pessoas que eu conheço, a outra metade é, em sua maioria, de artistas visuais ou galerias, porque eu acho que faz sentido seguir esse tipo de pessoas numa rede social visual ao invés de fazer o mesmo no Twitter, por exemplo. Não raro aparece uma bunda por lá. Mas nesse caso ou são da Nin Magazine, uma revista brasileira de arte erótica feita totalmente por mulheres, ou são bundas que eu conheço. Não necessariamente a bunda em si, mas a pessoa a quem ela pertence. Mas mesmo nesse caso, de pessoas que eu conheço, não saio por aí dando like em tudo, me identifico com a pessoa que, na entrevista, disse que dar um like no Instagram é como falar “quero mais conteúdo como esse”.

Mas a questão dos likes que damos, seja no Instagram ou alguma outra rede social, é apenas uma parte muito pequena de como nosso comportamento se adapta a essas mídias. Muito mais importante, pode-se argumentar, é aquilo que postamos. A minha chefe recentemente publicou um texto no qual fala um pouco sobre como o que fazemos no mundo virtual pode ter efeitos na vida real, a partir do caso recente dos estudantes que tiveram sua admissão cancelada em Harvard devido a posts que incitam o ódio. É uma posição um tanto egoísta essa de pensar duas vezes antes de apertar o botão de enviar não por como aquilo pode afetar uma outra pessoa, mas por qual imagem de nós mesmos aquilo vai estar criando. Essa temática do registro é recorrente quando pensamos em comportamento e redes sociais. Não necessariamente em casos tão violentos quanto esse, mas mesmo num aspecto mais geral; as nossas opiniões e ideias mudam com o tempo, o que é natural. Mas hoje em dia, aquele comentário que você fez cinco anos atrás continua a existir, a despeito de você não concordar mais com ele. Na teoria, podemos voltar nas nossas timelines e apagar esse tipo de coisa (apesar de redes como Facebook e Twitter dificultarem o processo), mas mesmo assim aquilo já foi registrado em algum outro nível, num outro servidor ou num printscreen. O que levanta questionamentos acerca do cada vez mais importante direito do esquecimento.

Mas, voltando para o âmbito pessoal, as redes sociais também tem um potencial enorme de alimentar nossas já grandes neuroses contemporâneas. Por que fulano não aceitou meu pedido de amizade? Sicrano visualizou minha mensagem e não respondeu, estou sofrendo de ghosting? Uma pessoa desconhecida começou a me seguir no Instagram, será paquera ou um serial killer? Ou os dois? Eu mesmo sempre fui bastante silencioso nas redes sociais. Não sinto que, no contexto delas, tenha muito a dizer, preferindo escrever para vocês, que se inscreveram aqui na newsletter. Recentemente tenho passado a usar um pouco mais o Twitter, mas ainda muito pouco e só para compartilhar links que acho interessantes. Eu nunca soube lidar com os níveis de intimidade que muitas pessoas parecem ter nesse mundo virtual, mas estou tentando repensar minha visão sobre essas coisas, até mesmo consultando alguns guiasde etiqueta sobre o tema. Diria que ainda estou muito longe de saber me comportar nelas, ou entender as variadas formas que as pessoas tem de fazer isso, mas é um começo. E você, quais suas experiências com o tema? Me conta lá nas redes sociais 😉

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