O Netflix oferece mais do que Hollywood

Por Aline d’Angelo

Minha professora de espanhol morou um tempo no México e é apaixonada pela cultura do país. Em abril, fiz uma viagem a trabalho para a Cidade do México e tive a chance de ficar alguns dias a mais por lá para conhecer essa metrópole fascinante. Voltei para casa, para variar, com uma vontade imensa de ter explorado mais o México, que tem muito mais a oferecer do que resorts de Cancún, que costumam ser o único interesse de tantos brasileiros.

Tudo isso para dizer que, quando estava por lá, abri o Netflix e na minha página inicial estava uma série mexicana de produção deles que me deixou curiosa. Quando voltei para o Brasil, ela continuava no meu catálogo, e resolvi dar uma chance na esperança de matar um pouco da sede de mais México que tinha me ficado.

“Ingobernable” é a história da primeira dama do México, Emilia Urquiza, que está se separando do marido, o presidente Diego Nava – fictício, porém nada acidentalmente parecido física e contextualmente a Enrique Peña Nieto. No primeiro episódio, o casal tem uma briga exageradíssima que acaba com Emilia desmaiada. Quando ela acorda, o corpo de Diego havia caído/sido atirado da sacada. A partir daí, Emilia consegue um fuga surreal do hotel, da polícia e das forças nacionais de segurança. Terminei o primeiro episódio convencida de que o Neflix havia produzido uma novela mexicana, mas algo me convenceu a dar mais uma chance à história. Ainda bem.

Resumindo sem grandes spoilers, Emilia não matou o presidente, porém todo o país está convencido do contrário. Ela acaba se refugiando em Tepito, um bairro de traficantes e contrabandistas na porção central da Cidade do México onde diz-se que a polícia não entra. A partir daí, a história fica muito interessante. O que parecia apenas um dramalhão policial vira uma crítica a uma guerra às drogas totalmente unilateral. Há uma referência muito forte ao desaparecimento de 43 estudantes em 2014 e à atuação do exército fora da transparência democrática e contra a própria população.

A série levanta temas muito importantes que ajudam a entender o México atual e nos prende na história. É bastante dramática e exagerada em diversos momentos sim, mas, no final das contas, acredito que isso lhe confere certa autenticidade cultural – não é uma série hollywoodiana em espanhol, é uma série mexicana, produzida e destinada a um público que está acostumado a ter histórias contadas de outra forma. Pessoalmente, tive uma relação de guilty pleasure com os elementos de dramalhão e de bastante interesse com os elementos políticos da série, então não posso deixar de recomendá-la a quem anda buscando coisas diferentes no catálogo do Netflix!

PS. Vale a pena também se inteirar no escândalo envolvendo a atriz principal, Kate del Castillo, que a impede de voltar ao México e obrigou que boa parte da série fosse rodada noa EUA. BAPHO!

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