PREPAREM AS PIPOCAS!

Por Vinicius

Eu sou um apaixonado pela animação! Sou daqueles que faz maratonas de filmes e desenhos ou que corre para procurar todos os indicados ao Oscar assim que sai a lista, por exemplo. Quando a gente fala sobre animação a primeira coisa que passa pela cabeça de grande parte das pessoas que, assim como eu, cresceram na frente da televisão, são produções da Disney, Ghibli, Hanna-Barbera, animes etc. E, apesar de crescermos com tanto contato com produções mundiais, pouco sabemos sobre o Brasil nessa história.

O fato é que a animação brasileira completou um século este ano. Isso mesmo, CEM anos! Em janeiro de 1917, foi exibido o [considerado] primeiro filme brasileiro de animação da história: “O Kaiser”, curta do cartunista Álvaro Marins. Infelizmente o filme se perdeu no tempo e restaram apenas algumas imagens e informações. Mas, para nossa alegria, o filme ”Luz, Anima, Ação” convidou alguns artistas brasileiros a recriar essa obra (um resultado lindo e muito interessante, como você pode ver aqui, que mistura técnicas e linguagens diferentes).

De lá pra cá, o Brasil se tornou mais reconhecido internacionalmente, com premiações consecutivas no festival de animação mais importante do mundo, Annecy, na França, considerado o Oscar da animação mundial. “Uma História de Amor e Fúria”, de Luiz Bolognesi, foi o vencedor em 2013, e “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu, recebeu o prêmio Cristal de Melhor Filme pelo júri e pelo público, em 2014. Outro filme, da única mulher brasileira premiada no festival, é o curta Guida (2015), de Urbes.  E não é só nesse sentido que o Brasil caminha, a produção de séries (ou os conhecidos “desenhos animados”) vem crescendo bastante em terras tupiniquins. Tá aí o Peixonauta pra provar para o mundo que fazemos coisa de qualidade – e tem outros bons exemplos, como Historietas Assombradas para Crianças Malcriadas, o clássico Turma da Mônica ou mesmo o novo cool Irmão do Jorel, para citar alguns exemplos.

Pensando nisso, aproveito para dar uma dica das mais legais: depois de passar pelo Rio de Janeiro, começou nesta semana em São Paulo o Festival Anima Mundi, que acontece até o dia 30 de julho. É a chance de encontrar bem de pertinho (e de forma muito mais fácil, já que o acesso a muitas dessas produções é bem restrita por aqui) grandes tesouros brasileiros e de mais de 45 países – serão exibidos 470 filmes entre curtas e longas durante o festival. São diversas técnicas, linguagens (gráficas e faladas) e universos que podem ser explorados. Além de tudo, o festival deste ano conta com um cartaz maravilhoso, criado pela portuguesa Regina Pessoa, que presta uma homenagem à cultura popular, ao cordel e à xilogravura.

Essa edição de 2017 não só celebra o centenário brasileiro, mas também comemora seu próprio quarto de século na história do país. E como presente, além das mostras competitivas e da apresentação nas novas produções dos diversos países, eles nos oferecem uma mostra paralela com uma retrospectiva de obras premiadas durante edições anteriores. Entre os destaques, estão “Sinfonia Amazônica”, considerado o primeiro longa brasileiro e que narra sete lendas amazônicas em seus mais de 500 mil desenhos feitos a mão, até o ”Luz, Anima, Ação”, que reflete sobre todos esses anos da memória da animação brasileira.

E sabe o que é mais legal? Serão exibições, palestras e oficinas em cinemas “alternativos” e com preços populares, como o Caixa Belas Artes, CCBB, Centro Cultural São Paulo, Cinemateca e até o circuito SPCine (que conta até com sessões gratuitas). Como novidade, eles lançam também uma espécie de Netflix do festival, o Anima Mundi On, a chance de mergulhar ainda mais fundo além da semana do festival.

E já que falamos do grande prêmio da Academia de Hollywood por aqui, o curta e o longa-metragem vencedores da mostra competitiva do festival automaticamente concorrem a uma vaga entre os escolhidos para o Oscar do ano que vem. Se o curta vencedor (o francês “Negative Space”) já foi escolhido na edição do Rio, o longa ainda será anunciado após essa edição de São Paulo e conta com votação popular também. Então, fica aí mais um motivo para curtir esse festival bem de pertinho!

Escolha sua sessão, pegue sua pipoca, espere as luzes se apagarem e divirta-se!

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